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  • Ana Thomaz

A Dor e o Prazer!

O corpo é uma zona de prazer, do prazer em relação.


Através de todos os sentidos somos convidados a sentir prazer, pelo olhar, pela escuta, pelo alimento, pelo odor, pela pele, pelo toque.


Os sentidos também são portas para dor.


Em nossa infância as dores foram olhadas, seja para serem cuidadas ou vingadas através do conhecido "eu te disse..."


E os prazeres, desprezados!


Não se nomeiam as experiências de prazeres na infância.


Em nossa sociedade as crianças brincam, aprontam, aprendem, provocam...não entra nessa lista o sentir, o prazer.


Assim como a dor, o prazer é uma passagem pelos sentidos, de curta duração.


Uma criança que cai, se machuca e sente dor, em minutos é capaz de deixar o lugar da dor, mas temos lugares para manha, birra, trauma, jogos de poder, abusos...a dor passa, mas o sofrimento fica.


O prazer passa, e não fica muita coisa no lugar, então resta a criança depois que o prazer passar, sofrer.


Me lembro de ter conhecido um terapeuta incrível quando eu tinha uns 20 anos.


Ele era capaz de falar sobre vários sofrimentos marcados no corpo desde o nascimento.


Fiquei intrigada se ele poderia perceber algum prazer vivido.

...


A criança brinca porque sente prazer ao brincar, seja na água, ao vento, na terra, com alimentos, com o calor, com o movimento, com as sensações. Mas para o adulto ela está só brincando, e o prazer fica invisível.


Então crescemos pessoas sofridas em busca do prazer.


O prazer conquistado já é outro assunto.


Não é disso que estamos falando, de conquistas através de esforços para poder ter o prazer de ser, de ter e poder.


O prazer genuíno é o que vem antes.


Sinto prazer de viver, por isso vivo, ao invés de viver para buscar sentir prazer.


Prazer não é recompensa, é a base da corporificação nessa Terra.


Desvirtuamos o prazer quando ele se torna um fim, que ganha valor quando conquistado com muita dor.


A busca do prazer pode nos levar a auto indulgência, a corrupção, a traições, a sacrifícios.


Os sofredores são os que buscam prazer.


O prazer genuíno, é ponto de partida e não de chegada.


Um corpo que entra em relações a partir da sensação de prazer em sua existência, não causa sofrimento nem a si, nem ao outro.


Está em relação vivendo em criação e transformação constante.


Está aberto para o amor.


Afirmando que Amor é a abertura para as relações que invariavelmente causará transformação.


Não é a experiência que da prazer ao corpo, é o corpo sensível ao prazer que gera uma experiência prazerosa.


E então a dor terá seu lugar aliada a criação da vida, livre de sofrimento.




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