Buscar
  • Ana Thomaz

Campo de Criação!

Quando as pessoas pensam em criar um novo modo de vida é porque estão insatisfeitas com a vida que tem, por isso o primeiro impulso é de fazer o oposto do já estabelecido, mas mesmo assim, começam por trazer as bases do antigo modo que já conhecem, estabelecendo regras, acordos e estatutos em longas e difíceis reuniões onde geralmente um mediador é necessário para que a comunicação tenha algum fluxo.


Não estamos preparados para viver em comunidade porque não vivemos em comunidade, mas não é indo contra o modo de vida insatisfatório que temos que iremos criar um novo.

Para criar o novo é preciso deixar morrer o antigo e deixar morrer a idéia do novo também.


É necessário deixar morrer as polaridades tanto da anti-vida já estabelecida em nosso campo social como do novo mundo idealizado que começa por negar o modo de vida em que fomos criados.


O pronto de partida é reconhecer e aceitar o que nos tornamos hoje.


Aceitar é o início que abre campo para transmutação. Muito diferente de resignação, pois resignar é o fim onde só resta reclamar.


Reconhecer que fomos criados para combater com o outro, onde a polaridade interna é projetada no outro, onde ficamos com uma parte em nós e projetamos o oposto no outro: ficamos no papel de vitima e projetamos no outro o papel de algoz.


Sendo que as polaridades são sempre internas, por isso o combate é sempre consigo mesmo.

Integrar as polaridades em nós e então vibrar um campo criador para que o inédito surja em cada relação.


As bases para a criação da Vila XI vem das experiências e experimentações de reconhecimento, aceitação, integrações de polaridades e abertura para o campo de criação em todas as relações.


Aqui estão algumas outras bases já vividas no M.u.d.a. e que nos dão apoio para criação da Vila XI (precisaremos usar o pensamento paradoxal para dar conta de compartilhar as praticas que sustentam a criação da Vila XI, por isso peço paciência).


*Antes e além de tudo a pratica contínua de perceber, sentir e entender que todos os seres, coisas e sentidos surgem da vacuidade, da ausência de existência inerente, sendo assim, ninguém poderia sustentar a idéia “Eu sou assim”, "Isso é o certo"... como se a singularidade partisse de um padrão estagnado e determinista, ou viver como um buscador de si mesmo procurando referencias e uma identidade para ser legitimado e reconhecido.


*Todos os seres vivos nascem legítimos e organizados em um padrão singular autopoiético, preparado para criar em relação. A materialidade da vida acontece a partir de um padrão que se organiza. Padrão não é o fim, mas o iniciador de infinitas possibilidades. Colocamos a atenção na potencia do padrão singular de cada existência, pois é dali que surge a ação inevitável em seu campo social.


*Toda existência acontece em relação, por isso a importância primordial de cultivar o campo potente das relações. Em nossa sociedade nos ensinam a manter relações com interferências, intermediários, para manter controle e garantias, baseado no custo beneficio e na especulação.

É fundamental desinvestir essas forças tão arraigadas em cada um de nós para reencontrar o campo potente do ser relacional.


*Integrar a projeção e o espelhamento, sabendo que tudo o que nossos sentidos captam são projeções que nos possibilitam o espelhamento de nosso estado, e com essa integração transitar em criação entre o publico e o privado.


*Desinvestir nos “fins” e investir nos “meios pelos quais”, a vida não carece de finalidade, ela é um continuo imprevisível e impermanente.


*Reconhecer que fomos criados para sermos infantis e que estamos assumindo a possibilidade de atuar como adultos, sendo capazes de transformar todos os experimentos da vida em experiências que ampliam as perspectivas.

Crianças podem reclamar, pois ainda não tem experiências suficiente para se cuidarem.

Adultos não podem reclamar e nem esperar que outros resolvam seus problemas projetados.

Sendo assim, na Vila XI só temos espaço para reclamação de crianças.

Ampliar a percepção e perceber que nossas respostas estão automatizadas por hábitos, crenças e padrões estagnados.


*Abrir-se para a diferença. A Vila XI está aberta para as pessoas que pensam, sentem e agem de modo singular. As diferenças não são ameaças e sim a ampliação das perspectivas. O que nos une é a dedicação contínua em nos tornarmos nós mesmos em composição com o todo.


"As regras são claras, o que precisamos é ampliar as percepções!"



260 visualizações

Receba atualizações dos acontecimentos, vivências e experimentações do M.u.d.a.