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  • Ana Thomaz

O Novo Normal!

Ainda me surpreendo cada vez que vou até a cidade e vejo todo mundo com mascara, parece um filme de ficção.


O que talvez me espante é porque todos seguem fazendo as mesmas coisas, pensando do mesmo jeito, apesar de sentir um pouco mais de medo, seja do vírus invisível, seja das leis que tomam decisões arbitrarias, seja da critica social que nos classificam e qualificam.


O medo continua o mesmo, porém mais acentuado, mais revelado pela mascara concreta e visível que escancara a mascara disfarçada e invisível que aprendemos a colocar no lugar da expressão genuína.


Sim, precisamos evitar o ritmo do contagio que acentua a curva para manter as condições de cuidados intensivos para os que precisam.

Precisamos usar mascaras para, se não evitar, diminuir a força do contato com o vírus.

Mas não é disso que se trata esse texto.


O que trago aqui é a atenção para o que está acontecendo, pois nem isolamento social, nem mascaras são soluções para o problema que estamos vivendo.


Até quando vamos continuar fugindo de vírus patológicos que nós mesmos criamos ambientes para que eles surjam?


O que está acontecendo é o resultado inesperado da desconexão humana com sua própria pulsão de vida, de sua natureza dependente relacional de todo sistema que o antecede e o possibilita existir.


Um ser que vive estressado porque mantém um alto nível de tensão por tempo prologando, com a justificativa de se manter vivo, caminha para um esgotamento, para doenças que o tira do próprio sistema.


Um sistema que envenena o próprio alimento, que poluí o ar que respiramos, que contamina a água que bebemos, que cria uma relação maléfica com nossa fonte de vida, o Sol, vem anunciando uma tragédia que fomos incapazes de aceitar, por isso fingimos que nada estava acontecendo e que no fim, tudo daria certo, seja por resignação, seja por criar um novo normal.


Continuarmos a nos proteger como se o inimigo estivesse fora de nós e continuarmos a nos destruir por estresse, por veneno, por contaminações, por descaso, por preguiça, por acomodação, por autoindulgência, por imaturidade...por acreditar no progresso (lucro, industrialização, mecanização) a qualquer custo...por desconexão com a pulsão de vida que ainda insiste em nos fazer existir nesse tempo e espaço, revela nossa grande ignorância.


E é essa pulsão, quando podemos senti-la, que poderá nos dar confiança e capacidade de transmutar, de nos tornarmos um outro Ser Humano em todas as nossas relações e criarmos um outro modo de pensar/sentir/agir aqui e agora.


Podemos manter as mascaras de pano, mas as mascaras da hipocrisia, da mediocridade, da ignorância tem que ser removida.

E não estou me referindo a um grupo específico que usamos como bode expiatório, me refiro a humanidade, a ignorância de todos nós.


Precisamos seguir em isolamento social, mas o isolamento da existência, a desconexão com a vida, tem que finalizar.


São atitudes que começa em cada um de nós e em nossas casas.

Antes de mais nada olhar profundamente para a relações intimas, essa pandemia tem revelado as bases especuladoras em que construímos nossas relações afetivas.


Olhar para nossos pensamentos, nossas ações cotidianas.

Olhar para a produção de lixo que diariamente tiramos das nossas vistas e fingimos que não existe.


Olhar com mais atenção para o investimento financeiro, energético, de força de trabalho...onde colocamos nosso dinheiro, a que nos dedicamos diariamente, qual tempo produzimos?


Ficaria aqui por horas transbordando esse sentimento de que o que realmente importa são as nossas ações cotidianas.


Mas finalizo esse texto para poder me relacionar com os que estão aqui, próximos de mim, e alimentar um ambiente saudável e amoroso para seguirmos em conexão com a pulsão de vida que poderá nos orientar para dias de celebração nesse paraíso em que vivemos.





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