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  • Ana Thomaz

Palavras de Silêncio, Movimentos de Pausa

Quando a ferida chega à superfície ela pode ser o acesso para sua raiz, pois a ferida é mero efeito.

Quando tratamos de curar a ferida seguimos ingenuamente expostos às suas causas.

Esse é o momento de reconhecer os caminhos percorridos que tem causado tamanho abalo.

Nem o pânico histérico de acreditar que é só catástrofe, nem o otimismo ingênuo de seguir no auto-engano esperando que a ferida se cicatrize.

O convite é para que surja a adultisse e reconhecer a desconexão com toda forma de vida (inclusiva a humana) que nossa sociedade cultiva.

Nem a arrogância de quem quer salvar a Terra, nem o niilismo que nos da a ilusão de independência e individualidade.

O planeta mostra o caminho onde a desaceleração do movimento anti-vida dos seres humanos começa a restaurar rapidamente a vida, pois ela nunca para de pulsar a favor da vida, mesmo com tanta interferência, ruído, desconexão.

A ultima coisa que a vontade de vida quer é voltar a “normalidade” anti-vida que vivíamos e que ainda vivemos só que de modo desacelerado.

O que temos agora é tempo e espaço para silenciar e escutar a pulsão da vida que surge da vacuidade, de onde surgem todas as criações nessa dança das meras e maravilhosas aparências que vivemos.

Não nos falta nada, seguimos sendo seres humanos com pulsão de vida e dependentes relacionais de toda existência.

O momento é de silêncio e nutrição da potencia interior.

Deixar de fazer, perder o ruído, esquecer o ressentimento.

Não é momento de fazer, mas desfazer.

Abrir mão.

Desinvestir.

Soltar.

Reconectar-se com o ponto zero.

Testemunhar a criação acontecer por ela mesma.

Momento de mergulho na raiz e encarar o estrago que temos feito com toda responsabilidade de quem assume suas ações.

São as pequenas realizações que abrem os caminhos.

Deixemos as grandes realizações e os altos voos para depois quando nos reconectarmos ao que realmente importa nessa passagem da humanidade sobre esse planeta.

Não ficaremos mudos, nem imóveis, mas palavras e movimentos surgirão de outros princípios.

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