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  • Ana Thomaz

PONTO CEGO!

Deixem o futuro em paz!

Parem de progredir!


Certamente essas frases não ganhariam nenhuma eleição, nem eleições de cargos políticos, nem eleição para sindico, nem para chefe de quadrilha, muito menos para funcionário do mês, pois está em cada um de nós a crença de que o melhor para o futuro é o progresso.


Mas talvez, se uma enfermeira dissesse, parem de progredir e deixem o futuro em paz, para as doenças que fazem seus pacientes sofrerem, talvez aí a frase fosse escutada com olhos brilhantes ávidos de vida.


Sofrimento, deixe o futuro em paz!

Doença, pare de progredir!


Se estamos vivendo em um sociedade doente, sofrida, autodestruidora, tudo em prol do progresso, obviamente que o futuro é o progresso da própria doença.


Estamos melhorando a doença, deixando-a mais forte e resistente.


Esse é o ponto cego que não estamos enxergando, mas que está diante de nós para que todos vejam.


Não digo que nós, que estamos vivos aqui na Terra, que nascemos provavelmente entre 1919 e 2019, somos culpados da criação de uma sociedade doente e uma cultura de dor e sofrimento.

Ela já estava muito mal quando chegamos por aqui.

Mas sem dúvida, somos herdeiros e nos tornamos responsáveis por esse contínuo.

Se estamos vivendo em sofrimento e dor, pessoal, transgeracional e social, nosso progresso indica o aumento de dor e sofrimento.


Parem o progresso e olhem para o passado, o mais longínquo que puder, não um passado qualquer, mas aquele que ainda dói e nos faz sofrer hoje.

O passado que se tornou presente e caminha para o futuro.

Vamos olhar para essas feridas mal cuidadas, para os atos de desconexão do movimento vincular da vida.

A vida é uma grande rede composta por dependentes relacionais, onde nada existe por si só, onde ninguém se salva sozinho, pois aquilo do qual me protejo e me alheio contínua ameaçando e condicionando a vida de todos.


Não é porque está no ponto cego que deixa de existir.


A ambição, a busca de poder, a vontade de progresso e o foco no futuro, não está somente nos que queimam a Amazônia, está naqueles que a defende também, o conflito vem das visões diferentes, mas todos estão olhando para o mesmo lugar, para o futuro enquanto carrega a estagnação do passado.

Claro que não é a mesma coisa destruir, construir e conservar, mas todas essas ações podem ter a mesma motivação: progresso e futuro, onde fins justificam os meios.


As polaridades caminham juntas.


Alguns voltam ao passado sofrido para buscar vingança, para fazer justiça, para ferir o outro, para que sintam a sua dor e assim criar um futuro diferente, onde a dor será de todos e não só de alguns.


Parem o progresso! Deixem o futuro em paz!


Nos dias 5 e 6 de outubro teremos uma vivência presencial com práticas sobre Presente/Passado liberando o Futuro.

Será no M.u.d.a. em Piracaia - SP

Com Ana Thomaz

Mais informações e reservas pelo email anavidaativa@gmail.com

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